Diablo Cabron - Entrevista ao Psychobilly Brasil

Depois de algumas semanas de “molho” na carceragem, muita burocracia com os advogados e a equipe de marketing internacional, o Psychobilly Brasil conseguiu uma entrevista com o Diablo Cabron. A banda curitibana formada em 2013, com Fabrício Melo (Guitarra e Vocal), Jeferson Jef (Baixo) e Sandro Nekromonsters (Bateria)  vem alcançando uma ótima repercussão no cenário Psychobilly, tendo tocado em vários eventos e festivais como o Psychobilly Fest e o Psycho Carnival e com uma carreira promissora no gênero. 

Confira o bate papo que tive com os “diablo cabrones” Fabrício e Sandro, contando a história da banda e os projetos presentes e futuros. Sua participação nos festivais, na Coletânea Psychozidos e a produção de um álbum de lançamento. 

Diablo Cabron. Foto: Divulgação
PB: Olá meus caros, agradeço por concederem esta entrevista ao Psychobilly Brasil. Vamos começar
falando do Psycho Carnival. Vocês fizeram sua primeira participação no festival que em 2016 teve a sua 17ª edição. Como foi esta experiência para a banda?

Fabrício: Foi uma ótima experiência e com certeza um marco na carreira do Diablo. De cara chegamos e quem estava passando o som eram os monstros do Guana Batz. Estar ali esperando para subir no mesmo palco já deu uma amostra da responsabilidade que é esse festival. A estrutura estava impecável e a equipe foi muito atenciosa para com a banda. Instrumentos afinados, depois de uma cerveja pra "firmar o pulso", as 22 hr e 30 minutos a banda subiu ao palco. No público estavam os amigos, os parceiros Psychozidos e muita gente que provavelmente viu o Diablo pela primeira vez. Experimentamos um set novo, começamos o show com a porrada "Calavera" e já vimos cabeças balançando e alguns "malacos" cantando o refrão junto. Foi muito legal ver o público sorrindo, tirando foto, lá em baixo estavam as pessoas chegando, se cumprimentando e curtindo, acho esse clima de amizade e parceria muito legal no Psycho Carnival. Quando tocamos as músicas já conhecidas do público através da Coletânena Psychozidos, vimos que o som já fazia parte do repertório musical de muita gente. O momento mais marcante na minha opinião foi quando tocamos o "hit" do Maniac Rockers "Andrade", nosso amigo e ídolo Preto Aranha (ex Maniac Rockers e atualmente guitarrista do The Brown Vampire Catz) que acompanhava o show da beira do palco, foi chamado durante a execução da música e cantou com a gente. Foi muito foda, admiramos muito o trabalho do TBVC e ter essa experiência foi uma honra. Tocamos "Fora da lei" como é de praxe pra terminar (quando os "menino talentoso", sandrão e Jef fazem aqueles solos fudidos) e depois foi descer do palco e cair pro abraço do público que nos parabenizou bastante.

Diablo Cabrón no 17º Psycho Carnival - 2016. Foto: Pri Oliveira / Cwb Live
Sandro: Cara, tocar no Psycho Carnival foi uma parada fora do contexto... O evento é consagrado um dos melhores festivais do mundo e fazer parte dele foi muito foda, além do mais dividir o palco com bandas que foram ícones para o psychobilly como Guana Batz, Brown Vampire Catz do amigo preto aranha entre outras...

PB: Particularmente eu gosto muito do Diablo Cabron e ouvi muita gente falando bem da banda. Como foi e como está sendo a receptividade do público após a apresentação?

Fabrício com o Diablo no Crazy Dog Psycho Fest em 2015.
Foto: Dyego Martins
Fabrício: Obrigado. No evento muita gente veio parabenizar a gente, perguntar sobre a banda, influências, material, etc. No Facebook muitas caras novas e principalmente novos amigos. O intercambio entre nós e a galera da "gringa" também foi legal, trocamos material e fizemos muitas amizades.
Sandro: Vlw parceiro... Cara é muito legal ver a galera chegar a parabenizar a banda, pessoal que nunca teve contato com a banda chegar e falar que curtiu, para nós isso é uma satisfação muito grande. Como o Fabrício comentou, a página do Facebook depois do Carnival teve vários acessos, pedidos para participar do grupo e etc...


PB: Me aceitem no grupo lá então!! (risos). Muito bom ter esta receptividade do público, dá um ânimo para continuar em frente. A formação da banda é a mesma desde o início? Como e quando surgiu o Diablo Cabron e de onde veio este nome?

Fabrício: A formação é a mesma desde que estreamos a banda. O projeto inicialmente foi criado por mim e mais um guitarrista que me acompanhava. No final de 2013 convidei os já conhecidos Jef e Sandro pra dar vida as composições que existiam. O nome surgiu da ideia de fazer um som voltado a música Latina e western, então criamos o Diablo Cabron, em espanhol pra mostrar a identidade da banda. O Diablo como referência ao lado sombrio das letras e o Cabron (sacana, desgraçado, filho da puta) como os vilões dos antigos Westerns que matavam "sem piedade" (quem entender a piada ganha uma cerveja, rs).

Sandro: Sim, a banda surgiu no final de 2013 e o nome como o Fabrício comentou Diablo pelo lado sombrio das letras e Cabron como uma gíria algo tipo FDP, sacana...

PB: E desde o início, a intenção era fazer um som Old School, cantado em português, ou isso foi mudando ao longo do tempo?

Sandro: A intenção era essa mesmo, letras em português e colocar um pouco de espanhol junto e tentar fazer um psycho mais puro e sem frescuras.

Fabrício: Planejamos o Diablo cabron com muita paciência antes de lançar a banda. Até mesmo a escolha dos integrantes, Eu já conhecia a desenvoltura do Jef (puto baixista) e seu gosto musical por que tocamos juntos no Hop Boomers (banda de rhythm blues curitibana). O Sandro (baterista também do Nekromonsters) , outro doente por Psychobilly, abraçou a ideia e saiu quebrando tudo na bateria. Desde então decidimos cantar em português e experimentar um pouco de espanhol as vezes , além de música latina propriamente dita como "Malagueña salerosa" que faz parte do repertório. Acho que o fato da gente já ter tocado em outras bandas de psychobilly e afins, trouxe a experiência necessária pra fazer o Diablo Cabron, a gente queria fazer Psychobilly, sem muita viagem na maionese e clichês, apenas um som simples e o mais Psychobilly o possível.

PB: E o resultado está aí...eu vejo o Diablo Cabron como uma banda bem consolidada e entrosada. A música é bem coesa, trabalhada, cheia de detalhes interessantes. Como funciona o processo de composição? Sei que a maioria das letras sai da mente psicótica do Sandro (risos), mas e o encaixe destas com a música? Como funciona isso com vocês?

Sandro "Nekromonster" no Lino's Bar. Foto: Divulgação
Sandro: Bem primeiramente somos amigos, e para mim a amizade é o que conta, não adianta tocar em uma
banda onde se é apenas colega, não rola...o nosso entrosamento vai desde o “cara que massa” até o “vai se foder cara, isso tá uma merda” (risos) temos uma ótima parceria, sempre trocamos ideias. Funciona mais ou menos assim: Jantar, bate papo e ensaio... No meio do ensaio sempre rola coisa nova, letra nova, riffs novos e etc... O Fabrício e o Jeff são dois puta músicos então o “casamento” se torna fácil, um chega com as ideias e automaticamente a parada flui, sem nenhuma dificuldade e tudo vira diversão.

Fabrício: A gente se encontra regularmente, bate um papo, faz um rango em casa e ensaia numa boa. Somos amigos acima da banda, então é fácil se juntar pra tocar. No começo tínhamos algumas músicas prontas, depois o Sandro chegou com uma porrada de letras. Eu tinha muitos riffs guardados também e o Jef é um verdadeiro conselheiro na hora de fazer a harmonia das músicas. O resto é treta, ódio, rancor e um pouquinho de ficção. Quer ouvir música bonitinha, vai ouvir Quakes (risos).

PB: Olha o Fabrício criando treta aqui (risos). E qual é a influência da banda e dos integrantes, dentro e fora do Psychobilly?

Jef no Psycho Carnival 2016. Foto: Cleiner Miceno
Fabrício: Eu gosto de música brasileira choro, marchinhas. Posso citar nomes bem mais oldschool que a galera do rockabilly que usei nas composições como Chiquinha Gonzaga, Nelson Cavaquinho, Leo Canhoto e Robertinho... Na guita o timbre vem dos clássicos do surf dos anos 60 The Ventures, The Shadows (o delay rolando no talo e um crunch da Orange). Fora isso as influências cinematograficas: (western é cinema, né não?! {risos}) Ennio Morricone, Sergio Leone, Robert Rodrigues. No Psychobilly nacional posso citar: Cwbillys, Crazy Horses e claro o The Brown Vampire Catz. Internacional: The Meteors, Batmobile, The Krewmen, Damage Done By Worms.

Sandro: Eu quando não estou curtindo Psychobilly, estou curtindo Psychobilly (eheheh), mas gosto muito também de Rush, Deep Purple e The Who, pois tem os bateras “mais foda” do planeta... Gosto também de Jazz ouço mais bandas de bateristas pioneiros como Gene Krupa, Buddy Rich, Viola Smith e o Blues também, mas é o psycho que rola todos os dias no trampo, em casa e etc... Quanto a banda, posso dizer que curtimos os clássicos né? Meteors, Nekromantix, Demented Are Go, Sick Sick Sinners, Brown Vampire Catz, Ovos Presley, Os Cervejas, Missionários, Kães, SAR, Diablo Cabron (riso), Diabatz... tem muita banda excelente, iria ficar aqui o dia todo falando e ainda ia faltar tempo (risos).

PB: E a Coletânea Psychozidos, lançada em 2015, como foi participar deste projeto?

Fabrício: Foi a criação de uma quadrilha organizada. O fato de reunir tantos músicos bons em um estúdio renomado pra gravar Psychobilly. Não precisa falar mais nada.

Sandro: Porra Diego, isso é pergunta que se faça?! (risos) Foi do caralho!! Muita gente boa reunida, além de ótimos músicos, ótimos amigos!! Aquilo dá no mínimo 10 anos de cadeia!! hahahaha...


PB: E em 2016 teremos algumas novidades? Quando é que poderemos ter em mãos o debut do Diablo Cabron?

Fabrício: Como eu e o Sandro somos funcionários públicos assim que nosso "querido" governador parar de avacalhar com nosso salário vamos entrar em estúdio (risos). Brincadeiras a parte, ainda esse ano queremos lançar um disco com nossas composições.

Sandro: Aguardem!! (risos)

PB: Obrigado pessoal. Agradeço novamente a oportunidade e desejo sucesso na carreira de vocês que é muito promissora. Stay Psycho!

Sandro: Vlw Diego e Psychobilly Brasil... Vida longa ao Psychobilly Brasileiro!!

Share on Google Plus

About Bone Shaker

Idealizador do site Psychobilly Brasil. Carioca, pai, esposo, trabalhador, aprendiz de baterista e entusiasta na internet. Formado em História e amante da música. Descobriu o Psychobilly com o Sick Sick Sinners e desde então decidiu que queria aquilo para sua vida. É baterista da banda Skullbillies a qual tem uma relação de amor e ódio.
    COMENTAR COM GOOGLE
    COMENTAR COM FACEBOOK

0 comentários:

Postar um comentário

O Psychobilly Brasil agradece a sua participação. Volte mais vezes!
Stay Psycho!