Batmobile - Entrevista ao Dynamite Online em 2006

Prestes a desembarcar nas terras curitibanas para a 7ª edição do Psycho Carnival, o Batmobile conversou com o Dynamite Online falando sobre sua história, a cena psycho à época e suas expectativas com relação ao show. Confira abaixo a entrevista no Baú do Psychobilly Brasil.

Stay Psycho!

Título Original: Batmobile - Um dos ícones da cena Psychobilly desembarca em Curitiba.

Entrevista com o vocalista e guitarrista Jereon Haamers
Por Fabio from Zorch. Fotos: divulgação



Foi ainda nos anos de colégio que os até então jovens colegas de sala Jeroen Haamers (guitarra e vocal) e Johnny Zuidhof (bateria) tiveram a idéia de montar a banda Batmobile, em 1983, completando sua formação com o baixista Eric Haamers, irmão de Jeroen. Na época eles eram os únicos rockabillies da cidade e adotaram este estilo musical, porém tocado de forma mais rápida e selvagem, configurando um estilo próprio.

O primeiro álbum foi lançado em 1985, dando início a um reconhecimento por toda a Europa e, mais tarde, por outros continentes. O grupo tem hoje 10 álbuns em sua discografia - o último, "Welcome to Planet Cheese" é de 1996. O trio deu um tempo em 2001, mesmo ano em que foi lançado um tributo pela gravadora japonesa Downer Records, que contou com a participação de diversas bandas de psychobilly do mundo inteiro. Entre elas estavam Os Catalépticos, de Curitiba, que participam com a música "Gates of Heaven". E se é para fazer mais conexões com o Brasil, é interessante citar que um de seus maiores clássicos, "Transylvanian Express" dá nome a um programa de rádio curitibano dedicado ao psychobilly. O Batmobile voltou à ativa em 2004, com shows pela Europa, Japão e Estados Unidos. A próxima parada é o Brasil, para uma única apresentação no evento Psycho Carnival 2006.

Confira a entrevista concedida pelo guitarrista e vocalista Jeroen Haamers a respeito do show no Brasil, cena psychobilly mundial e curiosidades sobre a banda:

Como vocês começaram a banda? 
Johnny e eu nos encontramos na escola. Nós éramos os únicos rockabillies na cidade onde vivíamos, então nos identificamos por causa disso. Nós dois tocamos em bandas punk. Um dia Johnny me perguntou se não queria montar uma banda. Nós ensaiamos uma ou duas vezes juntos, ouvimos alguns discos antigos (Johnny Burnette, Elvis e também Blue Cats) e pedimos para o meu "grande irmão" Eric nos ajudar com a banda. Eric emprestou um baixo acústico de um amigo e nunca devolveu. O Batmobile havia nascido.

Quando vocês começaram esperavam durar por esses 20 anos tocando? 
Não... não esperávamos nada no começo. Nós começamos porque ninguém queria tocar e nós amávamos rockabilly. Depois de mais ou menos um ano pessoas de todo o país se interessaram no Batmobile e algum tempo depois nós conseguimos gravar nosso primeiro disco. Quando o telefone começou a tocar e pessoas passaram a escrever de todo o mundo nós percebemos que tínhamos um grupo muito especial.

Quais as ocupações dos membros da banda além da música? 
Ou vocês conseguem viver do rock'n'roll? Nós fomos músicos profissionais por muito tempo. Eric ainda é (há aproximadamente 20 anos). Johnny é editor de filmes e programas de TV. E eu tenho uma companhia de gerenciamento e consultoria em cuidados com a saúde.

Como você vê a cena psychobilly hoje? 
Eu mantenho contado com as pessoas pela internet e acredito que está acontecendo algum tipo de revival. Ou talvez seja só que a nossa música que está tento muita atenção nos EUA, e como é uma país enorme parece que alguma coisa grande está acontecendo na cena. Musicalmente as coisas têm mudado muito desde 1983, mas isso é completamente normal, eu acho. Existem algumas bandas novas que eu gosto e outras que não. Devem existir muitas bandas que eu nunca ouvi, mas não vejo muita diferença de 20 anos atrás. Eu nunca fui um grande fã, eu acho. Eu gosto de tocar com meus amigos, e é isso.

Voltando aos velhos tempos... o que mudou na cena durante esses anos? 
Existem muito sub-estilos e muitas bandas novas que se distanciaram da base rockabilly. Tudo bem, cada um na sua, mas eu gosto quando você pode ouvir a influência do rockabilly, ou pelo menos do rock'n'roll,em uma banda. Não sou um grande fã de punk ou metal.

O que vocês têm ouvido nos últimos tempos? 
Eu escuto principalmente Elvis. Acho que tenho quase uns 500 discos do cara.

Vocês pensam em gravar um novo álbum? 
Acho que um álbum com músicas novas não vai acontecer muito breve. Estamos pensando em talvez lançar algo como um CD ao vivo. Nós gravamos centenas de shows através dos anos e achamos que há muito material bom nessas fitas.

Fale sobre seus projetos paralelos. 
Eu acabei de finalizar as gravações de um disco só de músicas do Elvis com dois caras do 69 Beavershot. Nós nos chamamos Tryple Dynamite e vamos lançar nosso primeiro disco pela Count Orlock, o que é extraordinário, já que eles não lançam nada a quase 20 anos...Estou muito animado com isso! Eric (o baixista) toca com os Gecko Brothers. Eles acabaram de lançar seu segundo disco. Eu achei muito bom! Vocês precisam conferir.

O que você sabe sobre a cena psychobilly brasileira? 
Nós estamos em contato com fãs brasileiros do Batmobile por mais de 10 anos, então eu acho que a cena está viva pelos menos por esse tempo. Eu conheço Os Catalépticos há um bom tempo, e outras bandas também. Então acho que a cena está aí por um longo tempo.

O que vocês esperam desse show no Brasil? E o que o público pode esperar? 
Acho que vamos dar nosso melhor e vamos assegurar que as pessoas tenham o show de suas vidas.

Vocês têm alguma mensagem para seus fãs brasileiros? 
Nós só esperamos que vocês estejam tão excitados quanto nós para nosso primeiro show aí. Espero que tenhamos a chance de encontrar com alguns de vocês e, primeiro e mais importante: mantenham-se loucos!

Obrigado pela entrevista! 
De nada. Nos vemos no mês que vem!

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About Bone Shaker

Criador do Psychobilly Brasil. Carioca, pai, esposo, trabalhador, aprendiz de baterista e entusiasta na internet. Formado em História e amante da música. Descobriu o Psychobilly com o Sick Sick Sinners e desde então decidiu que queria aquilo para sua vida. É baterista da banda Skullbillies a qual tem uma relação de amor e ódio.
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