Os Catalépticos - O fim da banda que rompeu barreiras

Por Heryk Correia ao Dynamite Online em 2006.

Já disse várias vezes que Curitiba tem uma cena psychobilly forte e isso não é de hoje. Nos anos 80, Os Missionários já mostravam seu psychobilly doente nos buracos mais imundos de Curitiba, para um público insano e doentio. Em seguida, bandas como Os Cervejas adicionaram mais punk rock e velocidade ao psychobilly tradicional, se tornando punk a billy. Nesta mesma época tinha o Dráculas Crápulas (mais tarde transformado em somente Krappulas), os Playmobillys, e um pouco mais tarde o Ovos Presley.

O fato é que Os Catalépticos surgiram um pouco depois, em junho de 1996, fazendo o chamado "power psychobilly" devido ao fato de ser um psycho mais agressivo, distorcido e rápido. Eles pegaram as influências de seus integrantes e fizeram uma salada, duas pitadas de punkabilly alcoólico do Vladimir mais uma pitada de psychomissonário do Gustavão e resultou num psychobilly porrada. Tão porrada que no pogo que é destruição total, você entra e não sabe se vai sair humano ou um zumbizão. O psycho nunca foi tão rápido e doente como com eles, ouvindo o debut-CD "Little Bits of Insanity", dá para notar influências punks (Toy Dolls, por exemplo), hardcore, e até de metal... A mistura é realmente explosiva!

Quem foi num show dos caras sabe do que estou falando, aquele baixão acústico tipo funerária é o bicho e quando eles resolvem se maquiar então... Quem vê não dorme a noite sozinho, só no quarto com a mamãe. Outro detalhe interessante em relação aos shows são as variedades de figuras que assistem e pogam. Já vi neguinho com camiseta do Pantera, Primus, Iron Maiden, punks, cabeludos, psychos, carecas, todos agitam na paz, é legal uma banda que consegue esta união, pelo menos no pogo, isso mostra a abrangência do som da banda.

A primeira formação foi com Marcio Tadeu (Ex-Os Cervejas) na batera que mais tarde daria lugar ao Coxinha que toca sua limitada bateria em pé, herança do rockabilly. Mas do início até o primeiro show passou-se um ano de ensaios, até darem as caras em setembro 1997 na IV Psychobilly Fest, evento nacional do estilo realizado anualmente em Curitiba e que trás fãs de todo o país e também de outros países.

DE CURITIBA PARA O MUNDO

Ao vivo em Barcelona ano 2000

E graças aos Catalépticos que o Brasil se tornou uma potência do psychobilly mundial, pois no mesmo ano da estréia da banda surge o convite para participar do festival mais importante do psycho mundial o 10º Big Rumble, na Inglaterra, onde tocaram ao lado de bandas como The Meteors, Guana Batz, Los Gatos Locos, Long Tall Texans e Frenzy entre outras. A qualidade impressionou os gringos e rendeu o convite pela gravadora inglesa Fury Records para participar de duas coletâneas (Rumble Party, vol. 6 e The Best of Fury Psychobilly), e também para gravar seu primeiro CD solo.

Já de volta ao Brasil entre janeiro e fevereiro de 1998 passaram em estúdio gravando o CD, que ficaria pronto em março contendo 13 músicas. O clássico "Little Bits of Insanity", lançado até então só na Inglaterra, permaneceu durante sete meses consecutivos entre os três Cds mais vendidos da distribuidora britânica Nervous Records. Esta repercussão abriu ainda mais as portas para este power trio, que retornou em 1998 para o 11º Big Rumble.

No ano seguinte a banda percorre o Brasil, tocando em várias cidades das regiões Sul e Sudeste. A banda não deixa a peteca cair e entram em estúdio para lançar o EP 7" e M-CD "From Beyond The Grave", lançado no final de 1999 no Japão pelo selo Revel Yell, também deste selo e no mesmo ano vem o home vídeo "Os Catalépticos Live" que contém 11 músicas retiradas da filmagem de um show da banda no Halloween de 1999. Neste mesmo ano eles participam de duas coletâneas na Alemanha pelos selos Black Sky Records e Crazy Love. Um dos melhores shows, segundo os próprios, foi nos EUA no Wreckers Ball em 2002, onde foram a penúltima banda da noite mais cheia do festival e rendeu uma pequena tour por seis cidades da Califórnia.

Em 2003 partem novamente para a Europa para a tour "Psycho Attack Over Europe", onde percorreram cinco países em nove dias entre os meses de junho e julho, tocando ao lado do Cenobites e Chibuku (ambas já fizeram apresentações destruidoras por aqui) dentre outras. Além de tantas tours pelo mundo, a banda lançou no exterior através de selos especializados e super undergrounds inúmeros EPs em formato digital e em vinil, dentre eles "Psychopath Fever" lançado pelo selo americano Loveless Beat Records, que contém quatro faixas inéditas em vinil picture, além de várias participações em coletâneas do estilo.

AGORA, A VEZ DO BRASIL

Ao vivo no Curitiba Pop Festival em 2001 /td>

Até então o público brasileiro e principalmente os seus conterrâneos de Curitiba só conheciam a banda através de shows e de cópias e gravações de seus Cds. Finalmente em setembro de 2000 foi lançado o primeiro CD "Little Bits of Insanity" pela Barulho Records, haja visto que os direitos eram do selo inglês Nervous Records o que dificultava e inviabilizava o lançamento local, por motivos contratuais. Neste mesmo ano retornam à Europa para uma tour que passou por cinco países. Nesta época lançaram o segundo CD "Zombification" pelo selo alemão Crazy Love Records e mais tarde no começo de 2001 no Brasil, também pela Barulho Records, facilitado por um acordo para que não ocorresse o mesmo que aconteceu com o primeiro CD. Vale dizer que em 2002 este CD ganhou a primeira edição do hoje consagrado Prêmio Dynamite de Música Independente, na categoria melhor álbum de rock referente a 2001 e também um convite para o também consagrado Curitiba Pop Festival na Ópera de Arame. Além destes, fora lançados no Brasil as coletâneas: "O Monstro" (Desgracera Records) em 2000 e Dance With a Chainsaw (Barulho Records e Funeral Music) em 2002, além de coletâneas com bandas curitibanas de outros estilos, como os de abrangência de dois jornais locais, a Gazeta do Povo (no vol. 4 da coleção "Os Quatro Elementos da Música Paranaense" e o Jornal do Estado ("Novos Sons Fora do Eixo"), ambos encartados em suas edições no ano de 2003.

FIM DE UMA ERA

"Saber a hora de parar talvez seja a decisão mais difícil e importante a ser tomada por uma
banda. E nós, Os Catalépticos, achamos que a hora é essa". Começa assim o anúncio do fim da banda em sua comunidade do orkut, resultando em inúmeras manifestações de inconformismo, tristeza, despedida e apoio, já que a banda era uma referência para muitos na cena local e também nacional e internacional e que faz sua despedida no Psycho Carnival 2006. Porém como o próprio guitarrista e vocalista Vlad diz, o som ficará eternizado para quem se interessar por um psychobilly honesto, pesado e sincero.

Halloween de 1999 - um dos melhores shows

Começa assim o anúncio do fim da banda em sua comunidade do orkut, resultando em inúmeras manifestações de inconformismo, tristeza, despedida e apoio, já que a banda era uma referência para muitos na cena local e também nacional e internacional e que faz sua despedida no Psycho Carnival 2006. Porém como o próprio guitarrista e vocalista Vlad diz, o som ficará eternizado para quem se interessar por um psychobilly honesto, pesado e sincero.

Honestidade e sinceridade estas que pôs fim à banda, que por motivos de respeito ao público, cansaço e desgaste por não estarem mais compondo material novo e sem querer repetir repertório antigo, trouxe desconforto. Porém eles sabem muito bem que sua parte foi feita, ouso dizer que fizeram mais do que sua parte pela cena, colocou o Brasil no circuito mundial do psychobilly, nos dando a oportunidade através deste intercâmbio, de ver bandas como Cenobites, Batmobile, Chibuku, The Meteors dentre outras mantendo viva a cena psychobilly, mostrando seu som agressivo para vários países, excursionando, tocando e sendo ovacionados em festivais de renome dentro do psycho, o estilo mais marginal e underground da música global.

Stay Psycho!
Share on Google Plus

About Bone Shaker

Idealizador do site Psychobilly Brasil. Carioca, pai, esposo, trabalhador, aprendiz de baterista e entusiasta na internet. Formado em História e amante da música. Descobriu o Psychobilly com o Sick Sick Sinners e desde então decidiu que queria aquilo para sua vida. É baterista da banda Skullbillies a qual tem uma relação de amor e ódio.
    COMENTAR COM GOOGLE
    COMENTAR COM FACEBOOK

0 comentários:

Postar um comentário

O Psychobilly Brasil agradece a sua participação. Volte mais vezes!
Stay Psycho!