Psychobilly - Por Onde Começar

O psychobilly esta sempre se desenvolvendo, as cenas locais sempre crescendo e trazendo novas pessoas, por isso vamos fazer um texto mais despretensioso e simples direcionado para este pessoal que esta chegando neste maravilhoso estilo de vida (se você é truezão, aguarde sua vez que eu já falo com você, rsrs)

Em clima de Psychocarnival, festival que recebe psychos e não-psychos de todo o Brasil, vamos tentar ajudar aqueles que estão chegando agora para se juntar a nós explicando um pouquinho por onde começar... e para começar do começo, precisamos entender de onde vem essa doideira:

Uma forma mais simplificada de dizer é que este gênero é a junção do punk com o rockabilly, portanto as influencias do estilo vem bem de lá de longe, agregando todo o rockabilly e passando pelas bandas de garagem dos 60's, Hasil Adkins, Chuck Berry, Johnny Burnette, Johnny Cash, Dick Dale, Little Richard, MC5, The Ventures, Screamin' Jay Hawkins... tudo isso e mais um pouco somado ao punk setentista.

Diz a lenda que a primeira vez que se tem noticia do uso do termo "psychobilly" foi em 1976 na parte falada da música “One Piece At A Time,” do Johnny Cash. Esta musica contava a historia de um funcionário da GM que ia roubando peça por peça da fabrica para montar o seu "cadillac psycho-billy":

Ugh! Yow, RED RYDER
This is the COTTON MOUTH
In the PSYCHO-BILLY CADILLAC Come on

Mas neste caso o sentido da palavra era outro, o termo Psychobilly como gênero musical nasceu com a banda The Cramps, que em seus primórdios usavam esta palavra (entre outras como "rockabilly voodoo") em seus cartazes de shows para chamar a atenção do publico.

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O The Cramps foi definitivamente o pontapé inicial no estilo, banda formada em 1976 pelo casal Lux Interior e Poison Ivy que exerce grande influencia no psychobilly ate hoje tanto na musica quanto visual, atitude e performance.


Lux e Ivy eram aficionados colecionadores de rockabilly mas viviam numa época de ouro do punk rock, isto foi crucial para criar aquele estilo único que eles tinham totalmente diferente das outras bandas da época. A ideia de tocar um rockabilly mais rápido, barulhento e psicótico com letras bem humoradas falando sobre historias de horror e sci-fi, de filmes trash e sexo pervertido acabou dando muito certo.

O primeiro disco do Cramps, o EP  Gravest Hits foi gravado em 1979 e já contem todas as características do grupo, mostrando a junção perfeita como café com leite de punk com rockabilly (falaremos sobre ele outro dia).


Com o tempo este estilo musical (assim como todos os outros) vem se alterando e se reinventando, variando desde bandas mais leves, influenciadas pelo rockabilly (como o Ricochets) ate bandas mais pesadas (como o Mad Mongols).
Por esse motivo, o The Cramps nunca se identificou como uma banda de psychobilly, sempre afirmando que este termo não tem nada a ver com a definição da musica que eles faziam.
Em certa ocasião Poison Ivy respondeu em uma entrevista:

"I think psychobilly has evolved into a gamut of things... It seems to involve upright bass and playing songs extremely fast. That's certainly not what we do." tradução livre: "Eu acho que psychobilly evoluiu para uma gama de coisas ... Parece envolver rabecão e tocar músicas extremamente rápido. Isso certamente não é o que fazemos"

Musicas barulhentas e aceleradas, letras debochadas e bem sacadas, show enérgico e performático, visual meio steampunk... todas essas características bem presentes neste gênero que tanto amamos nos revelaram o Cramps como os primeiros psychobillys (eles querendo ou não)

mas...

como eles desprezaram este filho bastardo, passamos para aquela banda que não só se orgulha de ter dado oficialmente inicio ao estilo como também faz questão ser reconhecida como a única que toca o verdadeiro e puro psychobilly: The Meteors!


Enquanto nas metrópoles americanas o punk rock fervia, do outro lado do oceano havia uma cena de revival do rockabilly com excelentes bandas como Stray Cats, The Polecats, Restless, Crazy Cavan, The Jets entre muitos outros. Foi neste clima que o menino P. Paul Fenech criou a banda The Meteors.

A ideia foi quase que a mesma dos Cramps, mas enquanto o Cramps tocava o rockabilly de uma forma mais agressiva e garageira, o Meteors tocava um punk encharcado de rockabilly.

O disco de estreia da banda, In Heaven, de 1981 foi o primeiro álbum de psychobilly propriamente dito, com todas as características do gênero que usamos até hoje. Musicas como "Maniac" e "The Crazed" são ótimos exemplos de como essa ideia de misturar o punk com o rockabilly tomou um peso e característica diferente. Essas musicas, com seu andamento rápido, sonoridade distinta e temas falando sobre loucura, filme B e perversão, poderiam ate ter sido feitas nos dias de hoje pois anda soam atuais.



É indicado dar uma olhada no disco inteiro, pois foi aqui que tudo realmente começou e é por isso que estamos aqui agora, este álbum é uma das melhores referencias para quem esta chegando no psychobilly.

Mas claro que não se resume só a isso, bandas como: Reverend Horton Heat, Klingonz, Demented are Go, The Quakes, Mad Sin, Batmobile, Los Gatos Locos, Skitzo, Torment, Guanabatz, Frantic Flintstones, Frenzy e Nekromantix (citando algumas poucas) constituem nossa discoteca básica e indispensável.

Hoje em dia o psychobilly esta bem mais agressivo e mais "billy", diria até que no momento atual seria algo como a junção de Stray Cats com Motorhead e se o psychobilly fosse uma pessoa, provavelmente seria o Reverend Horton Heat (lembrando que este texto é sobre musica não sobre moda)


Para finalizar, a melhor forma de se iniciar em qualquer estilo musical, principalmente no psychobilly é através das coletâneas, onde podemos ter contato tanto com as bandas boas e as ruins, as leves e as pesadas, as nacionais e gringas e assim formarmos o nosso gosto musical.

Stomping At The Klub Foot, Rockabilly Psychosis And The Garage Disease, Gods of Psychobilly, The Best of Fury Psychobilly e  Psycho Attack Over Europe são bons exemplos coletâneas gringas. No Brasil temos a Psychorrendo com nossas bandas nacionais pioneiras e a Psycozidos com bandas da nova geração.

Quanto ao psychobilly aqui no Brasil vai ficar para outras conversas (este site é justamente pra isso) mas a melhor forma de começar é pelo livro do Marcio Tadeu - Terapia com Sequela, lançado o ano passado e também com o vídeo abaixo, o documentário Psycho Attack Brasil de 2007.


PS: Sem indicação de álbuns clássicos aqui, estamos na era da internet e no YouTube tem quase tudo, pesquise !

CONTINUA...

Esta matéria foi publicada no site Whiplash. Clique AQUI para acessar.
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About Vagner Rocker Gt

Na sinuca da vida eu sou a bola branca. Aprendiz de alcoólatra, não tenho dinheiro nem deus no coração. Sou graduado em muitos nada e gosto de falar sozinho mas beber acompanhado. Costumava aparecer quando rodava o disco da Xuxa ao contrario, mas agora posso ser encontrado tocando psychobilly por aí, em http://deicidasuicida.blogspot.com.br/ ou https://www.facebook.com/rockergt
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